Sabbath & Yom Kippur

Na tradição judaica, o “Yom Kippur” é o “Dia da Expiação”. Numa noite assim, na Nazaré antiga, é provável que Jesus, como judeu, tenha ido à sinagoga e entoado orações solenes com a sua congregação. Yom Kippur também é designado como o “Sábado dos Sábados”. A palavra “Sabbath” é carregada de significado e ela aparece com freqüência nas Escrituras. Jesus referiu-se à ela quando  disse: “O sábado foi feito para o homem”. O que ele quis dizer?

O Guia: Esta, assim como quase todas as citações bíblicas, pode ser respondida em muitos níveis. Eu não poderia entrar em todos os diferentes níveis de significado agora, mas vou tentar combiná-los, de modo a dar-lhe a essência dessa palavra que se aplica a todos os níveis.

O nível mais superficial é óbvio: a observância do sábado simplesmente significa que os seres humanos devem disponibilizar algum tempo e energia para se comunicarem com Deus, para o seu desenvolvimento interior, pois este é o seu alimento espiritual;  e também para o descanso físico. Neste dia, uma pessoa deve desistir de atividades corriqueiras. Se você deseja concentrar sua atenção na vida interior, você não pode fazê-lo eficazmente se estiver distraído com outras coisas.

(Palestra do Guia Pathwork #70 — Sessão de Perguntas e Respostas)

 

Se esta lei não tivesse lhes sido dada, muitos indivíduos teria negligenciado as necessidades do espírito e do corpo. Isso ainda é verdade em muitos casos. No entanto, hoje a humanidade, como um todo, tem crescido suficientemente para determinar quando deve ser o seu próprio tempo para receber alimento espiritual e descanso físico.

Isto pode ou não acontecer naquele que é designado como o sétimo dia da semana, mas não tem que ser em um dia prescrito. Para alguns, um outro dia da semana pode ser mais apropriado. Para outros, talvez, seja certo disponibilizar  algum tempo todos os dias para a vida interior, enquanto que o dia geral de descanso é usado para o relaxamento físico e o reabastecimento das forças. Todos vocês precisam desenvolver o contato com suas vozes e necessidades interiores.

(Sessão de Perguntas e Respostas #247)

 

Em um nível mais profundo, esse mandamento significa um equilíbrio das próprias atividades. Em épocas anteriores, a dependência infantil da humanidade era tão grande que a vida precisou ser estruturada de forma a criar um equilíbrio um pouco harmonioso. Como a humanidade é lenta na maturação, a autorresponsabilidade teve que ir crescendo no mesmo ritmo, mesmo nas questões relativas ao descanso; até que ponto deve-se trabalhar; e, em que medida é necessário se concentrar no desenvolvimento interior e na comunhão com Deus.

Em outras palavras, sua vida deve ser harmoniosa também na distribuição das suas atividades de maneira uniforme e equilibradamente para não se tornar unilateral. Isso é saudável para o corpo e para a alma.

Hoje, essa lei não pode ter mais o mesmo significado. “Eu tenho que guardar o sábado” seria uma compulsão. Seria um ato não-livre e nada poderia ser alcançado dessa forma. Todos vocês devem ser capazes de gerir as suas vidas da maneira mais razoável a partir deste ponto de vista. Você agora são capazes de usar o seu juízo e bom senso para encontrar o equilíbrio entre o trabalho, desenvolvimento espiritual, descanso e lazer.

Todos devem ser capazes de organizar esse equilíbrio individualmente e não se ater à regras e regulamentos – sem nenhum tipo de rigidez, mas usando o livre arbítrio com sabedoria.

Por exemplo, alguém pode ser workaholic (viciado em trabalho)  e, ainda assim, guardar o sábado. Ja uma outra pessoa, pode não guardar o sábado no sentido interior, e ficar julgando as obrigações do próximo. Deus não é para ser vivenciado apenas em um determinado dia. Nada deve ser um “dever”, muito menos Deus.

(Palestra do Guia Pathwork #63 — Sessão de Perguntas e Respostas)

 

As religiões têm feito deste conselho sábio uma regra rígida. Com a rigidez, o significado interior se perde. As pessoas obedecem cegamente e simplesmente guardam o sábado – ou o domingo – como o dia da semana em que podem relaxar e descansar. Isso é bom e deve ser assim.

Mas o que é o verdadeiro descanso? O que é a única fonte de força eterna que sempre pode vir para o homem? É Deus. E Deus lhe dará força se você tentar conhecer a si mesmo de modo a superar suas fraquezas, seus equívocos e ilusões, suas limitações e cegueira. Deus em você pode se manifestar apenas por meio de um caminho de autobusca, de honestidade absoluta consigo mesmo, trabalhando pelo seu desenvolvimento.

Isto não é para ser compreendido literalmente como significando que apenas um dia especial deve ser designado para o exercício do autodesenvolvimento e da realização espiritual.

O significado real é: uma certa quantidade de tempo deve ser dedicada à vida interior, à reflexão e à contemplação, à observação de si mesmo. Assim, e assim somente, você será capaz de sintonizar-se com as forças divinas que, de outra maneira, estarão fora do seu alcance.

O “Sábado dos Sábados”  significa que existe um dia especial, que esta religião em particular designou, para que se fosse feito um inventário pessoal. Mais uma vez, isso não deve ser compreendido ao pé da letra como sinônimo de que existe apenas um unico dia especial do ano para se fazer isso. Todos vocês que realmente trabalham neste Caminho sabem que, quando você ganha uma visão global de onde você está agora,  você percebe que existem certas fases, em comparação às fases anteriores, e que também é possível ver o que resta a ser feito e quais os problemas interiores que ainda não foram solucionados.

Você ainda permanece fechado e bloqueado e, embora você possa ver certas facetas, você ainda não têm conhecimento interior e percepção suficientes para mudar essas emoções. Então, você sabe que isso ainda é o que resta a ser feito. Você precisa de certas estágios e modificações que podem lhe ajudar a ganhar uma visão do todo, ou tenta alcançá-los da melhor forma que puder.

Naturalmente que, em grande parte, o significado original desses ensinamentos se perderam. Mas esse é o verdadeiro significado do “Sábado dos Sábados”. De certa forma, para a religião judaica, é a oportunidade de um recomeço de forma adequada, após o Ano Novo.

A Escritura diz que o sétimo dia é o dia de descanso. Você também sabe o significado esotérico, místico do número sete. Sete é o número sagrado. Ele indica que as coisas chegam ao fim, para um todo. Eu não vou dizer a um fim, pois não existe tal coisa; há sempre um novo começo, um recomeço. É como o fechamento de um círculo ou ciclo. Quando você fecha um ciclo, acontece um estado de paz, de descanso.

Cada número significa um determinado aspecto de um princípio cósmico, assim como, psicológico e pessoal. O significado do sete é o desfecho de um ciclo. Então, você parte para um próximo ciclo. Vocês todos sabem que este caminho é como uma espiral. Você parece andar em círculos, mas você  descobre, eventualmente,  que não é bem assim. Um ciclo semelhante acontece em um nível mais profundo ou superior. Sete indica a fase que é mais tranqüila e na qual você ganha uma visão do todo. O quebra-cabeças começa a se encaixar. E você começa a ver algumas peças se ajustando em seus lugares.

Por um momento, nessa etapa do seu desenvolvimento, você vivencia uma certa clareza e, com isso, sente uma certa paz. Isso é repousante, até chegar o próximo ciclo ascendente e você passa a experimentar um certo aborrecimento e inquietação novamente. Quando as coisas parecem sair fora do lugar de novo, por vezes, ao ponto de você se questionar  se a paz sentida era uma ilusão. A confusão irá gerar uma visão mais profunda e, consequentemente, a paz no próximo ponto de descanso, quando este ciclo for novamente fechado, desde que você tenha tido boa vontade e seu trabalho no Caminho tenha sido vivenciado profundamente, sem distorções e autoenganos.

As semanas de sete dias passam em seu mundo, uma após a outra. Elas são apenas um símbolo relativo dos pequenos ciclos pertences à ciclos maiores. Na verdade, o momento e a duração de cada ciclo é um processo eminentemente individual. Não só variam de um indivíduo para outro, como também variam com a mesma pessoa.

Um ciclo pode ser longo, outro curto. Não há nenhuma regularidade neles. A medição do tempo na Terra é inteiramente simbólico, enquanto que na compreensão espiritual não pode haver rigidez. Você não pode forçar artificialmente as etapas; elas crescem com o seu trabalho, com suas necessidades individuais, seus problemas pessoais e características. E, também, surgem a partir dos seus esforços no Caminho.

(Palestra do Guia Pathwork #70 — Sessão de Perguntas e Respostas)

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